Por que leões do norte??

Eu já tinha ouvido esse termo muitas vezes, mas eu só fui pensar em seu significado quando fui para o II CPEJE (Congresso Pernambucano de Empreendedorismo jovem), onde ouve uma palestra sobre o tema.

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Acredito que como eu muita gente apesar de conhecer o termo, principalmente pela música de Lenine, não entende o motivo, acho que todos os pernambucanos deveriam conhecer mais afundo a história de nosso estado, acho inclusive que deveria ser obrigatório que a disciplina de história tivesse um espaço dedicado às peculiaridades de cada estado, para que desde pequenos possamos ter orgulho de nossa história de luta e força.

Eu não sou formada em história, mas fiz uma rápida pesquisa para nos ambientar no conceito, no termino do texto coloquei os links das fontes utilizadas.

Bom à história começa em 1501 com o inicio da colonização portuguesa em Pernambuco, contudo o povoamento efetivo deu inicio em 1534, quando é feita a divisão das capitanias hereditárias. Na época nosso território era bem maior, abrangia os atuais estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e a porção ocidental da Bahia, possuindo, deste modo, fronteira ao sul/sudoeste com Minas Gerais. Em pouco tempo, a capitania de Pernambuco se tornou a principal produtora de açúcar da colônia portuguesa. Consequentemente, era também a mais próspera e influente das capitanias hereditárias. Surge em Pernambuco o protótipo da sociedade açucareira dos grandes latifundiários da cana-de-açúcar. A maior proximidade geográfica de Portugal, barateando o custo do transporte, a abundância do pau-brasil, o cultivo do algodão e os grandes investimentos feitos pelo donatário na fundação de vilas e na pacificação dos índios são outros fatores que ajudam a explicar o progresso da capitania. Tal prosperidade, entretanto, transformou a capitania em um ponto cobiçado por piratas europeus. 

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Ok, aqui já sabemos que Pernambuco era bem maior e rico, e de grande importância no Brasil colonial, e que tinha gente de olho, e acho que vocês devem saber o que acontece agora…

Em 1630 somos invadidos pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, os holandeses desembarcando na praia de Pau Amarelo, conquistam a capitania de Pernambuco em fevereiro de 1630 e estabelecem a colônia Nova Holanda, durante sete anos houve a resistência por parte da população até que, com o tempo, alguns senhores de engenho de cana-de-açúcar aceitaram a administração da Companhia das Índias Ocidentais por entenderem que uma injeção de capital e uma administração mais liberal auxiliariam o desenvolvimento dos seus negócios.

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Em 1637 o conde Maurício de Nassau desembarca no Brasil e implementa uma política de estabilização nos domínios conquistados e sob o seu governo, o nordeste brasileiro conheceu uma época de ouro: a “Nova Holanda”. Ao pisar em solo americano, encontrou cerca de 7.000 almas vivendo nas piores condições de higiene e habitação. Mandou construir pontes, palácios, iniciou a urbanização do atual bairro de Santo Antonio, incentivou as artes e as ciências, retratou a natureza do novo mundo através de seus dois artistas Frans Post e Albert Eckhout. Trouxe ao todo 46 estudiosos dos mais variados gêneros.

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Certo, podemos agradecer a Mauricio de Nassau as belezas do “Recife Antigo”, mas essa calmaria só durou até 1645, vocês devem estar pensando porque? Depois de tantas melhorias trazidas por Nassau, a questão é que ele era tolerante de mais com os senhores de engenho (na visão Holandesa) os quais deviam muito a Companhia das Índias Ocidentais, foi igualmente tolerante com o judaísmo e o catolicismo, deixando que se professassem todas as religiões livremente. Preferia não penhorar engenhos nem sufocar revoltas com crueldade. Enfim, procurava fazer a administração contrária ao que queriam os senhores da Campainha.

Em 1644, Nassau é destituído do cargo, e a Campainha das Índias Ocidentais assumiu a administração pressionando os senhores de engenho, sem considerar o testamento político de Nassau, passou a cobrar a liquidação das dívidas aos inadimplentes, assim os senhores de engenho se rebelaram e decidiram por fim ao domínio Holandês na capitânia dando inicio a Insurreição Pernambucana que durou 9 anos, culminando com a extinção do domínio holandês no Brasil.

Com o fim da dominação Holandesa, voltamos a fazer parte de Portugal, o que era tão ruim quanto (ou pior) vamos combinar. O que resulta assim o inicio dos movimentos de independência, começando pela Guerra dos Mascates (1710-1711), que consistiu na disputa entre os senhores de engenho (Olinda) e os novos burgueses vindos de Portugal (Recife), chamados de Mascates, durante qual o Recife foi palco de combates e cercos, depois de muita luta, que contou com a intervenção das autoridades coloniais, finalmente o fato se consumou e Recife foi equiparada a Olinda terminando a Guerra dos Mascates.

Com a vitória dos comerciantes portugueses, essa guerra apenas reafirmava o predomínio do capital mercantil (comércio) sobre a produção colonial.

Em 1801 dar-se inicio a conspiração dos Suaçunas, foi um projeto de revolta que se registrou em Olinda, inspirados pelas ideias do Iluminismo e pela Revolução Francesa, eram apenas reuniões com pensamentos sobre independência, mas foi descoberta e abafada, contudo apesar da repressão aos envolvidos, os seus ideais voltaram a reaparecer, anos mais tarde, na Revolução Pernambucana de 1817.

Dentre suas causas destacam-se a crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e a influencia das ideias iluministas. O movimento iniciou com ocupação do Recife, em 6 de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado, acabou se rendendo.

O movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio de Antônio Carlos de Andrada e Silva e de Frei Caneca. Tendo conseguido dominar o Governo Provincial, se apossaram do tesouro da província, instalaram um governo provisório e proclamaram a República.

Em 29 de março foi convocada uma assembleia constituinte, com representantes eleitos em todas as comarcas, foi estabelecida a separação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; o catolicismo foi mantido como religião oficial, porém havia liberdade de culto (o livre exercício de todas as religiões); foi proclamada a liberdade de imprensa (uma grande novidade no Brasil); abolidos alguns impostos; a escravidão, entretanto foi mantida.

À medida que o calor das discussões e da revolta contra a opressão portuguesa aumentava, crescia, também, o sentimento de patriotismo dos pernambucanos, infelizmente conseguindo pouco apoio dos outros estados em menos de três meses a revolução foi cessada, contudo conseguiram abalar a confiança na construção do império americano sonhado por D. João VI, a coroa nunca mais estaria segura de que seus súditos eram imunes à contaminação das ideias responsáveis pela subversão da antiga ordem na Europa, é claro que ouvi penalidades, nosso território foi desmembrado, tornaram autônomas as comarcas do  Rio Grande, juntamente a Ceará, Paraíba e Alagoas.

Tivemos ainda mais duas revoltas A Confederação do Equador (1824) que também tinha a intenção de conquistar a emancipação, representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçada na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país.

Como punição a Pernambuco, D. Pedro I determinou, através de decreto de 07/07/1825, o desligamento do extenso território da Comarca do Rio São Francisco (atual Oeste Baiano), passando-o, inicialmente, para Minas Gerais e, depois, para a Bahia.

E a Revolta Praieira (1848-1850), a Revolta Praieira, também denominada como “Insurreição Praieira”, “Revolução Praieira” ou simplesmente “Praieira”, foi um movimento de caráter liberal e separatista que eclodiu, durante o Segundo Reinado, na província de Pernambuco, entre 1848 e 1850.

A Última das revoltas provinciais está ligada às lutas político-partidárias que marcaram o Período Regencial e o início do Segundo Reinado, inspirados por movimentos na Europa os revoltosos lutavam por ideias de liberdade com intuito republicano.

E aí já deu para ter uma ideia, antes mesmo de a inconfidência mineira começar a ser pensada Pernambuco já tinha se metido em muitos problemas, hoje somos uns dos menores estados do país, contudo temos uma economia forte, belezas naturais vastas, uma história riquíssima e uma cultura extremamente diversificada, é ou não é para sermos chamados de Leões do Norte??

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Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitania_de_Pernambuco

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pernambuco#Hist.C3.B3ria

http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%B5es_holandesas_do_Brasil

http://pt.wikipedia.org/wiki/Insurrei%C3%A7%C3%A3o_pernambucana

http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Pernambucana

http://pt.wikipedia.org/wiki/Conspira%C3%A7%C3%A3o_dos_Sua%C3%A7unas

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Mascates

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maur%C3%ADcio_de_Nassau

http://pt.wikipedia.org/wiki/Confedera%C3%A7%C3%A3o_do_Equador

http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_Praieira

http://pt.wikipedia.org/wiki/Inconfid%C3%AAncia_Mineira

http://www.recife.pe.gov.br/pr/simbolos.php

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